“Não desejo outra coisa senão amar”: Bem-aventurada Maria Gabriella Sagheddu

A Irmã Maria Gabriela nasce na Sardenha, Itália, no dia 23 de abril de 1914, de uma família de pastores. Aos dezoito anos vive uma forte experiência de conversão, que a leva a querer dedicar-se mais intensamente a Deus. Inscreve-se na Juventude Feminina da Ação Católica, onde se dedica de modo especial à catequese. Aos vinte anos decide entregar-se inteiramente a Deus na vida monástica, e ingressa no mosteiro de Grotaferrata (hoje Mosteiro de Vitorchiano).

No mosteiro, sua vida parece orientada por dois princípios essenciais:

O primeiro é sua gratidão pela Misericórdia de Deus que a envolve, e a chama a pertencer exclusivamente a Ele. A Irmã Maria Gabriella sempre se comparava ao Filho Pródigo, e não se cansava de dar graças pela vocação monástica.

O segundo é o desejo de responder com todas as suas forças a essa Misericórdia: que se cumpra nela a vontade de Deus, pois somente nela se encontra a verdadeira paz.

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Oração no claustro, Mosteiro de Vitorchiano

Após um retiro pregado pelo Padre Couturier, um grande pioneiro do ecumenismo e apóstolo incansável da causa da restauração da Unidade dos Cristãos, este apresentou à comunidade um pedido especial de orações e sacrifícios nesta intenção. A Irmã Maria Gabriella sentiu-se irresistivelmente chamada a oferecer sua vida pela unidade dos Cristãos. “Sinto que o Senhor me pede isso”, confia ela à sua abadessa.

Através de um caminho rápido e direto, associado a uma grave enfermidade, sempre em perfeita obediência a Deus e consciente de sua própria fragilidade, a Irmã Maria Gabriella alcança aquela liberdade interior que a leva a conformar-se com Jesus que, “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”.

Na tarde do dia 22 de abril de 1939, aos vinte e cinco anos de idade, a Irmã Maria Gabriela concluiu sua breve vida, enquanto os sinos do mosteiro tocavam para as Vésperas do Domingo do Bom Pastor, cujo evangelho do dia proclamava: “E haverá um só rebanho e um só Pastor”.

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Procissão, Mosteiro de Vitorchiano

Antes de deixar este mundo, a Irmã Maria Gabriela fez um pedido solene a Deus que, uma vez que ela estivesse no Céu, ela intercedesse de modo especial pelas vocações de seu amado mosteiro. Seu pedido foi aceito pelo Senhor. Após sua morte o mosteiro passou a receber um afluxo prodigioso (poderia se dizer miraculoso) de vocações. A partir daí, o mosteiro de Vitorchiano passou a levar a vida monástica cisterciense aos quatro ventos: Argentina, Chile, Venezuela, Itália, África, Filipinas, Indonésia, Síria, República Tcheca.

O mosteiro de Nossa Senhora da Boa Vista, em Rio Negrinho, Santa Catarina, pertence a essa linhagem – sendo, também ele, fruto da fecundidade espiritual da Irmã Maria Gabriella.

Beatificada por São João Paulo II no dia 25 de janeiro de 1983, a Irmã Maria Gabriella é uma importante padroeira e intercessora da causa da restauração da Unidade dos Cristãos. A Igreja celebra sua memória do dia 22 de abril. ⊕

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Capela da Unidade, no Mosteiro de Vitorchiano, onde se encontra o corpo intacto da Irmã Maria Gabriella

Oração

Ó Deus, pastor eterno, que suscitastes na Bem-aventurada Maria Gabriella o desejo de oferecer a própria vida pela restauração da Unidade dos Cristãos, fazei com que, por sua intercessão, chegue logo o dia no qual, em volta da mesa da Palavra e do Pão, todos os Vossos filhos vos louvem com um só coração e uma só alma. Amém. 

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5 comentários sobre ““Não desejo outra coisa senão amar”: Bem-aventurada Maria Gabriella Sagheddu

  1. A Paz!
    Assim seja, a sermos um só coração e uma só alma +
    Obrigada pelo artigo!
    É interessante conhecer um pouco da vida da Beata Maria Gabriella e da sua ajuda às vocações e do desejo que se faz tão atual da unidade da Igreja.

    Outra santa que também nos traz um chamado muito atual é Santa Lutgarda.
    Assim que possível, deixo a sugestão da publicação de algum artigo sobre a vida de Santa Lutgarda de Aywieres para que nos ajude e ensine na oração pela conversão dos pecadores e perdão das almas do purgatório.

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  2. Inspirador! Ela mesma foi citada na última Exortação Apostólica do Papa Francisco, a Gaudete et Exsultate:
    5. Nos processos de beatificação e canonização, tomam-se em consideração os sinais de heroicidade na prática das virtudes, o sacrifício da vida no martírio e também os casos em que se verificou um oferecimento da própria vida pelos outros, mantido até à morte. Esta doação manifesta uma imitação exemplar de Cristo, e é digna da admiração dos fiéis.[2] Lembremos, por exemplo, a Beata Maria Gabriela Sagheddu, que ofereceu a sua vida pela unidade dos cristãos.
    Muito grato pelo artigo e que Deus os abençoe.

    Curtido por 1 pessoa

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