Primeiro Domingo do Advento: “Vigiai!”

As leituras da liturgia de Advento são particularmente ricas, e o tempo do Advento é um tempo muito prezado e amado por nossos Padres Cistercienses. As três leituras desta Missa querem orientar-nos para viver bem e santamente os dias entre hoje e a solenidade do Natal. Vamos considerá-las brevemente, uma por uma.

A primeira leitura nos faz sentir a nossa necessidade de salvação. A vida espiritual sempre começa e se renova por meio desta consciência. O profeta Isaias, falando em nome do povo, confessa seus pecados e as conseqüências deles. “Todos nós nos tornamos imundície, e todas as nossas boas obras são como um pano sujo. Nossas maldades empurram-nos como o vento” (Is 64, 5).   Existe uma distância entre nós e Deus, a distância do pecado. O nosso sentimento é de ser o povo de um Deus que não quer saber de nós, que escondeu a sua face de nós. É mesmo assim, mesmo que nós o irritamos e hostilizamos, é só nele que podemos confiar. Só ele é capaz de trazer-nos de volta. “Tu és nosso pai, nós somos barro” (Is 64, 7). Devemos cultivar este espírito de conversão ao longo de Advento: “Eu preciso de um salvador; eu pequei e não sou capaz de restaurar-me. “Ah, se rompesses os céus e descesses!” Peçamos a graça de experimentar neste Advento a nossa pobreza. Ela é real; ela é grande.  Peçamos a graça de um conhecimento intenso da nossa necessidade de ser salvos. Todos os nossos problemas pessoais e comunitários provêm de um não-saber o quanto precisamos de Deus e de seu poder e misericórdia.

A segunda leitura (1Cor 1,3-9) é radiante com a graça da resposta de Deus à nossa oração na primeira leitura. Deus em Jesus Cristo nos concedeu a graça que pedimos. Éramos pobres; em Cristo fomos enriquecidos. Éramos privados da graça; Paulo dá graças a Deus “por causa da graça que Deus nos concedeu em Jesus Cristo”. Paulo não duvida que esta graça que nos foi dada em Cristo é tão abundante que bastará para “nos dar perseverança em nosso procedimento irrepreensível até ao fim”. Reparem que, de folhas murchadas e panos sujos, passamos a ser santos e irrepreensíveis. Não por conta própria, mas pela vinda do Filho de Deus na carne, pela morte e ressurreição de Jesus que fez de nós novas criaturas. Será que nós nos experimentamos como novas criaturas? Será que queremos experimentar-nos assim? Será que nós nos esforçamos para poder acolher toda a graça da redenção da qual Paulo fala? Este também é um dever de Advento. Alegrar-nos na resposta que Deus deu à nossa profunda pobreza: a resposta que é a pessoa de Jesus.

O evangelho é uma chamada de atenção, um apelo urgente para a vigilância. Tendo recebido a graça de Cristo e passado das trevas da primeira leitura à luz da segunda, cuidado! Vivamos despertos; não caiamos no sono do esquecimento. Não percamos a graça que nos foi concedida em Cristo, uma graça que exige correspondência para permanecer graça. Recebemos uma quantidade de graça suficiente para manter-nos fieis até o fim; mas nenhuma quantidade de graça, até uma quantidade infinita, é prova contra uma atitude de negligência, de tibieza, de indiferença. A cada um de nós foi dada a tarefa de porteiro da própria casa espiritual e da casa do mosteiro. Recebemos graça e recebemos uma tarefa, a tarefa de vigiar. E se não vigiarmos, podemos perder tudo e para sempre. Assim fala a Bíblia. E a gente não tem direito de suavizar a Bíblia.

Estas são as verdadeiras velas da coroa de Advento: 1) Um espírito pobre e humilde, que busca em Deus seu repouso e salvação; 2) Um espírito grato, alegre e confiante porque, em Cristo, Deus nos re-estabeleceu em sua amizade; 3) Um espírito fiel, alerta e vigilante, para não perder a riqueza de Cristo e do seu Espírito Santo.

Reconheçamos, com toda a honestidade, que precisamos crescer em cada uma destas três atitudes. A compunção, a gratidão, a vigilância ainda não criaram em nós raízes tal como Deus deseja. Cada dia nos mostra isso, pelo auto-conhecimento e pelo conhecimento do próximo. A grande palavra de Advento é “Despertai! Vigiai!” O Advento é tempo de graça, tempo de salvação. Não recebamos a graça deste tempo em vão; usemos este tempo de tal modo que o Cristo que vem nos encontre exatamente como ele que nos encontrar.

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